Reforma Tributária: entender 2026 evita erros caros depois
Por que a nota fiscal vira o centro do jogo antes da alíquota subir?
A Reforma Tributária costuma ser tratada como algo distante, quase abstrato.
2027, 2028… “depois a gente vê”.
Só que 2026 já muda o jogo.
Não é o ano da carga cheia do novo IVA, mas é o ano em que a reforma vira
operacional.
E é exatamente aí que a maioria das empresas erra.
Até aqui, uma coisa já deveria estar clara:
2026 não é sobre pagar imposto.
É sobre emitir certo.
O que muda na prática a partir de 2026
1. Começa o novo modelo de tributação
PIS, Cofins, ICMS e ISS entram em rota de saída.
Entram:
- CBS (federal)
- IBS (estadual e municipal)
Ainda em fase de transição, mas já alterando:
- emissão de notas
- classificação fiscal
- precificação
- leitura de margem
A nota fiscal muda — e muda de verdade
Para empresas fora do Simples Nacional (Lucro Presumido e Lucro Real), 2026 não é “mais do mesmo”.
2. Destaque obrigatório de IBS e CBS
A nota fiscal passa a exigir:
- destaque de CBS
- destaque de IBS
Mesmo sendo ano de teste.
👉 O imposto deixa de ser invisível
👉 O cliente passa a enxergar carga tributária
👉 Contratos e preços sentem o impacto
3. Um ponto crítico da transição (quase ninguém está falando)
Aqui está um detalhe que muda tudo:
👉 Se a empresa emitir a nota COM destaque de IBS/CBS em 2026:
- não há recolhimento efetivo do imposto
- o destaque cumpre função de teste, transparência e validação do sistema
👉 Se a empresa emitir a nota SEM destaque de IBS/CBS:
- o fisco pode entender como tributo devido
- nasce a obrigação de recolher
- com risco de multa e juros
Resumo prático:
🧠
Destacou corretamente → não recolhe
💸
Não destacou → pode ser obrigado a recolher
Isso não é detalhe estético da nota.
É
impacto financeiro direto.
O detalhe que não é detalhe: classificação tributária nacional
A reforma cria algo novo na prática:
uma classificação tributária nacional, única, válida para IBS e CBS.
Esse código é a CST e cClassTrib.
Ela define, objetivamente:
- se a operação gera crédito
- se há redução de alíquota
- se a operação é tributada, isenta ou beneficiada
- como o imposto se comporta ao longo da cadeia
👉 Errar CST e cClassTrib = errar imposto
👉 Errar imposto = errar crédito
👉 Errar crédito = errar preço
Isso não é detalhe técnico.
É
estratégia fiscal aplicada na nota.
Antes de tudo: NCM e NBS viram a base de tudo
Aqui está um detalhe que não é detalhe nenhum.
Na Reforma Tributária,
nada começa na cClassTrib.
Tudo começa
antes.
👉
NCM, para mercadorias.
👉
NBS, para serviços.
Eles passam a ser a base estrutural para definir:
- o tratamento tributário
- a cClassTrib
- o CST
- o direito a crédito
- a existência de redução de alíquota ou benefício
Sem NCM ou NBS corretos, não existe classificação válida.
O erro clássico que vai custar caro
Muita empresa vai tentar:
“Escolher a cClassTrib direto”
Isso não funciona.
A lógica agora é:
- NCM ou NBS corretos
- Definição do tratamento tributário
- Enquadramento da cClassTrib
- Reflexo em CST, crédito, alíquota e preço
Pulou o passo 1?
Todo o resto fica errado — mesmo que “aparente” estar certo.
O impacto prático disso
- NCM errado → benefício indevido
- NBS genérica → crédito negado
- Classificação mal feita → risco fiscal silencioso
E o pior:
- o erro se repete em todas as notas
- vira custo mensal
- e só aparece quando alguém cruza os dados
A Reforma não cruza só imposto.
Ela cruza
informação.
Tradução para o mundo real
Na prática:
NCM e NBS deixam de ser cadastro.
Viram decisão estratégica.
Quem tratar isso como detalhe vai errar:
- CST
- cClassTrib
- crédito
- preço
- margem
Tudo junto.
Onde tudo realmente começa
A Reforma Tributária não começa no imposto.
Não começa na alíquota.
Nem começa na cClassTrib.
Ela começa na classificação correta do que a empresa vende.
Produto ou serviço mal classificado
gera nota aparentemente correta,
mas imposto errado desde a origem.
Quando a base está errada,
todo o resto apenas replica o erro.
Qual será o destaque de alíquota em 2026?
Aqui, cuidado com discursos tranquilizantes demais.
Em 2026, a alíquota será teste, em torno de:
- 0,9% a 0,1% (IBS + CBS)
Objetivo real:
- testar sistemas
- validar emissão de notas
- testar geração de créditos
- observar fluxo e split payment
⚠️ Não é a alíquota final do IVA
⚠️ Mas
a emissão correta já é obrigatória
Quem errar agora não “escapa”.
Só empurra o problema para frente — com juros.
Setores com redução de alíquota: o ponto mais sensível
A reforma cria regimes diferenciados, com reduções relevantes de carga tributária.
Exemplos de setores beneficiados:
- Educação
- Saúde
- Hotéis
- Restaurantes
- Transporte coletivo
- Produção cultural
- Alimentos essenciais
- Agronegócio (em partes)
As reduções podem chegar a:
- 60%
- 40%
- 30%
- ou até isenção, conforme o enquadramento
👉 Mas o benefício não é automático.
Só vale se:
- a atividade estiver corretamente enquadrada
- CST e cClassTrib estiver correta
- a nota refletir a realidade da operação
Benefício mal aplicado não vira economia.
Vira
autuação com juros gourmet.
Um ponto ignorado por muitos: análise da cadeia
Aqui está um dos maiores divisores de águas da Reforma para quem estará no regime regular.
A partir de 2026, não basta saber quanto você vende.
Será essencial entender
com quem você se relaciona na cadeia.
Empresas precisarão analisar com profundidade:
🔎 Fornecedores
- Geram crédito de IBS/CBS ou não?
- Estão corretamente classificados?
- Operam no Simples ou no regime regular?
- Emitem nota com destaque correto?
Fornecedor errado = crédito perdido.
🔎 Clientes
- Aproveitam crédito ou são consumidor final?
- Estão no Simples ou fora?
- O imposto destacado vira custo ou vira crédito para eles?
Isso muda:
- preço
- margem
- negociação
- competitividade
🔎 Produtos e serviços
- Geram crédito?
- Têm redução de alíquota?
- Estão corretamente enquadrados no CST e cClassTrib?
- Sofrem tratamento diferente ao longo da cadeia?
Produto mal classificado parece normal,
mas
sangra margem todos os meses.
Se você leu até aqui, já entendeu algo essencial:
a reforma não é tributária.
é operacional.
O crédito deixa de ser automático: nasce o condicionamento
No novo modelo, crédito não é mais um direito isolado de quem compra.
Ele passa a ser
condicionado à regularidade do fornecedor e à liquidação financeira.
👉 Se o fornecedor não recolher corretamente o IBS/CBS:
- o adquirente perde o crédito
- mesmo com nota
- mesmo com destaque correto
Mesmo sem culpa alguma, o adquirente perde o crédito.
Isso muda tudo.
Não é mais só “comprar com nota”.
É comprar de quem
cumpre o sistema.
A Reforma empurra as empresas para algo novo:
🧠
governança fiscal da cadeia.
Split payment: o possível antídoto (olhando para 2027)
Para enfrentar esse problema, surge o split payment.
Previsto para:
- testes a partir de 2027
- modelo opcional
- foco inicial em operações B2B
Lógica:
- o imposto é separado no pagamento
- o fisco recebe sua parte
- o fornecedor recebe o líquido
- o adquirente tem o crédito garantido
Se funcionar bem:
- reduz litígios
- reduz risco de crédito
- aumenta previsibilidade
- impacta diretamente o caixa (adeus imposto como capital de giro)
Mas atenção:
⚠️ ainda é teste
⚠️ ainda é opcional
⚠️ depende de maturidade tecnológica
A nota fiscal virou o ator principal da Reforma
Durante anos, a nota fiscal foi tratada como burocracia.
Na Reforma, isso muda completamente.
A nota fiscal vira o centro do sistema.
É nela que estarão:
- CST e cClassTrib
- o direito ao crédito
- a redução de alíquota
- o destaque do imposto
- a transparência da carga
- o vínculo entre quem vende e quem compra
Não é mais o pagamento que manda.
É a
emissão.
Quem emite certo:
- protege crédito
- evita recolhimento indevido
- reduz risco fiscal
- ganha previsibilidade
Quem emite errado:
- paga imposto desnecessário
- perde crédito
- vira alvo de correção futura
E o Simples Nacional?
Aqui vai o ponto que acalma muita gente:
👉 Para quem permanecer no Simples Nacional, nada muda em 2026.
- não há destaque de IBS/CBS
- não muda a emissão da nota
- não muda a apuração
- não muda a rotina operacional
A reforma começa a bater primeiro em quem está fora do Simples.
O resumo honesto
A Reforma Tributária não começa quando a alíquota sobe.
Ela começa quando a empresa precisa
emitir corretamente.
Em 2026, a pergunta não é:
“Quanto vou pagar de imposto?”
É:
“Minha nota fiscal reflete exatamente a realidade da operação?”
Quem usar 2026 como treino chega em 2027 preparado.
Quem ignorar vai aprender do jeito mais caro possível.
Se você quer atravessar 2026 sem sustos, o caminho não é adivinhar a lei.
É
simular, classificar e ajustar antes.
Se fizer sentido, me chama.
Planejamento tributário agora é
prevenção, não urgência.











