Reforma Tributária: entender 2026 evita erros caros depois

Everardo Lima • 10 de janeiro de 2026

Por que a nota fiscal vira o centro do jogo antes da alíquota subir?

A Reforma Tributária costuma ser tratada como algo distante, quase abstrato.
2027, 2028… “depois a gente vê”.

Só que 2026 já muda o jogo.


Não é o ano da carga cheia do novo IVA, mas é o ano em que a reforma vira operacional.
E é exatamente aí que a maioria das empresas erra.

Até aqui, uma coisa já deveria estar clara:
2026 não é sobre pagar imposto.
É sobre
emitir certo.

O que muda na prática a partir de 2026


1. Começa o novo modelo de tributação

PIS, Cofins, ICMS e ISS entram em rota de saída.
Entram:

  • CBS (federal)
  • IBS (estadual e municipal)

Ainda em fase de transição, mas já alterando:

  • emissão de notas
  • classificação fiscal
  • precificação
  • leitura de margem


A nota fiscal muda — e muda de verdade

Para empresas fora do Simples Nacional (Lucro Presumido e Lucro Real), 2026 não é “mais do mesmo”.


2. Destaque obrigatório de IBS e CBS

A nota fiscal passa a exigir:

  • destaque de CBS
  • destaque de IBS

Mesmo sendo ano de teste.

👉 O imposto deixa de ser invisível
👉 O cliente passa a enxergar carga tributária
👉 Contratos e preços sentem o impacto


3. Um ponto crítico da transição (quase ninguém está falando)

Aqui está um detalhe que muda tudo:

👉 Se a empresa emitir a nota COM destaque de IBS/CBS em 2026:

  • não há recolhimento efetivo do imposto
  • o destaque cumpre função de teste, transparência e validação do sistema

👉 Se a empresa emitir a nota SEM destaque de IBS/CBS:

  • o fisco pode entender como tributo devido
  • nasce a obrigação de recolher
  • com risco de multa e juros

Resumo prático:

🧠 Destacou corretamente → não recolhe
💸
Não destacou → pode ser obrigado a recolher

Isso não é detalhe estético da nota.
É
impacto financeiro direto.


O detalhe que não é detalhe: classificação tributária nacional

A reforma cria algo novo na prática:
uma classificação tributária nacional, única, válida para IBS e CBS.

Esse código é a CST e cClassTrib.

Ela define, objetivamente:

  • se a operação gera crédito
  • se há redução de alíquota
  • se a operação é tributada, isenta ou beneficiada
  • como o imposto se comporta ao longo da cadeia

👉 Errar CST e cClassTrib = errar imposto
👉 Errar imposto = errar crédito
👉 Errar crédito = errar preço

Isso não é detalhe técnico.
É
estratégia fiscal aplicada na nota.


Antes de tudo: NCM e NBS viram a base de tudo

Aqui está um detalhe que não é detalhe nenhum.

Na Reforma Tributária, nada começa na cClassTrib.
Tudo começa
antes.

👉 NCM, para mercadorias.
👉
NBS, para serviços.

Eles passam a ser a base estrutural para definir:

  • o tratamento tributário
  • a cClassTrib
  • o CST
  • o direito a crédito
  • a existência de redução de alíquota ou benefício

Sem NCM ou NBS corretos, não existe classificação válida.


O erro clássico que vai custar caro

Muita empresa vai tentar:

“Escolher a cClassTrib direto”

Isso não funciona.

A lógica agora é:

  1. NCM ou NBS corretos
  2. Definição do tratamento tributário
  3. Enquadramento da cClassTrib
  4. Reflexo em CST, crédito, alíquota e preço

Pulou o passo 1?
Todo o resto fica errado — mesmo que “aparente” estar certo.


O impacto prático disso

  • NCM errado → benefício indevido
  • NBS genérica → crédito negado
  • Classificação mal feita → risco fiscal silencioso

E o pior:

  • o erro se repete em todas as notas
  • vira custo mensal
  • e só aparece quando alguém cruza os dados

A Reforma não cruza só imposto.
Ela cruza
informação.


Tradução para o mundo real

Na prática:


NCM e NBS deixam de ser cadastro.
Viram decisão estratégica.

Quem tratar isso como detalhe vai errar:

  • CST
  • cClassTrib
  • crédito
  • preço
  • margem

Tudo junto.


Onde tudo realmente começa

A Reforma Tributária não começa no imposto.
Não começa na alíquota.
Nem começa na cClassTrib.

Ela começa na classificação correta do que a empresa vende.

Produto ou serviço mal classificado
gera nota aparentemente correta,
mas imposto errado desde a origem.

Quando a base está errada,
todo o resto apenas replica o erro.


Qual será o destaque de alíquota em 2026?

Aqui, cuidado com discursos tranquilizantes demais.

Em 2026, a alíquota será teste, em torno de:

  • 0,9% a 0,1% (IBS + CBS)

Objetivo real:

  • testar sistemas
  • validar emissão de notas
  • testar geração de créditos
  • observar fluxo e split payment

⚠️ Não é a alíquota final do IVA
⚠️ Mas
a emissão correta já é obrigatória

Quem errar agora não “escapa”.
Só empurra o problema para frente — com juros.


Setores com redução de alíquota: o ponto mais sensível

A reforma cria regimes diferenciados, com reduções relevantes de carga tributária.

Exemplos de setores beneficiados:

  • Educação
  • Saúde
  • Hotéis
  • Restaurantes
  • Transporte coletivo
  • Produção cultural
  • Alimentos essenciais
  • Agronegócio (em partes)

As reduções podem chegar a:

  • 60%
  • 40%
  • 30%
  • ou até isenção, conforme o enquadramento

👉 Mas o benefício não é automático.

Só vale se:

  • a atividade estiver corretamente enquadrada
  • CST e cClassTrib estiver correta
  • a nota refletir a realidade da operação

Benefício mal aplicado não vira economia.
Vira
autuação com juros gourmet.


Um ponto ignorado por muitos: análise da cadeia

Aqui está um dos maiores divisores de águas da Reforma para quem estará no regime regular.

A partir de 2026, não basta saber quanto você vende.
Será essencial entender
com quem você se relaciona na cadeia.

Empresas precisarão analisar com profundidade:

🔎 Fornecedores

  • Geram crédito de IBS/CBS ou não?
  • Estão corretamente classificados?
  • Operam no Simples ou no regime regular?
  • Emitem nota com destaque correto?

Fornecedor errado = crédito perdido.

🔎 Clientes

  • Aproveitam crédito ou são consumidor final?
  • Estão no Simples ou fora?
  • O imposto destacado vira custo ou vira crédito para eles?

Isso muda:

  • preço
  • margem
  • negociação
  • competitividade

🔎 Produtos e serviços

  • Geram crédito?
  • Têm redução de alíquota?
  • Estão corretamente enquadrados no CST e cClassTrib?
  • Sofrem tratamento diferente ao longo da cadeia?

Produto mal classificado parece normal,
mas
sangra margem todos os meses.

Se você leu até aqui, já entendeu algo essencial:
a reforma não é tributária.
é
operacional.

O crédito deixa de ser automático: nasce o condicionamento

No novo modelo, crédito não é mais um direito isolado de quem compra.
Ele passa a ser
condicionado à regularidade do fornecedor e à liquidação financeira.

👉 Se o fornecedor não recolher corretamente o IBS/CBS:

  • o adquirente perde o crédito
  • mesmo com nota
  • mesmo com destaque correto

Mesmo sem culpa alguma, o adquirente perde o crédito.

Isso muda tudo.
Não é mais só “comprar com nota”.
É comprar de quem
cumpre o sistema.

A Reforma empurra as empresas para algo novo:
🧠
governança fiscal da cadeia.


Split payment: o possível antídoto (olhando para 2027)

Para enfrentar esse problema, surge o split payment.

Previsto para:

  • testes a partir de 2027
  • modelo opcional
  • foco inicial em operações B2B

Lógica:

  • o imposto é separado no pagamento
  • o fisco recebe sua parte
  • o fornecedor recebe o líquido
  • o adquirente tem o crédito garantido

Se funcionar bem:

  • reduz litígios
  • reduz risco de crédito
  • aumenta previsibilidade
  • impacta diretamente o caixa (adeus imposto como capital de giro)

Mas atenção:
⚠️ ainda é teste
⚠️ ainda é opcional
⚠️ depende de maturidade tecnológica


A nota fiscal virou o ator principal da Reforma

Durante anos, a nota fiscal foi tratada como burocracia.
Na Reforma, isso muda completamente.

A nota fiscal vira o centro do sistema.

É nela que estarão:

  • CST e cClassTrib
  • o direito ao crédito
  • a redução de alíquota
  • o destaque do imposto
  • a transparência da carga
  • o vínculo entre quem vende e quem compra

Não é mais o pagamento que manda.
É a
emissão.

Quem emite certo:

  • protege crédito
  • evita recolhimento indevido
  • reduz risco fiscal
  • ganha previsibilidade

Quem emite errado:

  • paga imposto desnecessário
  • perde crédito
  • vira alvo de correção futura


E o Simples Nacional?

Aqui vai o ponto que acalma muita gente:

👉 Para quem permanecer no Simples Nacional, nada muda em 2026.

  • não há destaque de IBS/CBS
  • não muda a emissão da nota
  • não muda a apuração
  • não muda a rotina operacional

A reforma começa a bater primeiro em quem está fora do Simples.



O resumo honesto

A Reforma Tributária não começa quando a alíquota sobe.
Ela começa quando a empresa precisa
emitir corretamente.

Em 2026, a pergunta não é:


“Quanto vou pagar de imposto?”

É:


“Minha nota fiscal reflete exatamente a realidade da operação?”

Quem usar 2026 como treino chega em 2027 preparado.
Quem ignorar vai aprender do jeito mais caro possível.

Se você quer atravessar 2026 sem sustos, o caminho não é adivinhar a lei.
É
simular, classificar e ajustar antes.

Se fizer sentido, me chama.
Planejamento tributário agora é
prevenção, não urgência.



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